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Quem é o psicopedagogo institucional numa instituição de nível superior?

por Marinalva Batista Dos Santos

Esta é uma pergunta que surge em torno da  profissão que  nasce através de uma proposta de interdisciplinaridade.  Interdisciplinaridade aqui surge no "diálogo" entre duas disciplinas que transpõem o  espaço da subjetividade   de um indivíduo  buscando  delinear   com clareza , os sujeitos   e as disciplinas. Não nos cabe propor " atividades e treinamentos para indivíduos com problemas de aprendizagem e comportamento baseados em teorias  comportamentais, como sugere a  Psicologia Educacional  nem definir métodos, técnicas e estratégias de ensino como  propõe  a Pedagogia   mas   cabe-nos  ocupar um lugar que está na inter-relação da ensinagem e da aprendizagem" afirma Maria  Gasparian[1]. É auxiliando na identificação  dos problemas  no processo de aprender ,  é  lidando com as dificuldades de aprendizagem através de instrumentos e técnicas  específicas através da articulação de várias áreas , que o psicopedagogo interfere na aprendizagem.  Apoiando-se em pressupostos científicos da  Psicanálise,  Epistemologia genética , Psicologia  Social , da Linguística... que a PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL  busca suporte para responder aos sintomas da problemática de ensino - aprendizagem.

"A PSICOPEDAGOGIA  INSTITUCIONAL é uma  atividade  nova "  afirma a   diretora  da Associação Brasileira de Psicopedagogia Nacional  Maria Cecília C. Gasparin e continua ,  " minha formação na PUC no ano de 1995 foi o primeiro ano e a primeira turma do curso e  na  época não tínhamos  bibliografia para ser consultada...".  Diante de tais evidências  seria possível conceber a atuação da PSICOPEDAGOGIA  em  instituição de nível superior?  Mesmo diante da  novidade da PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL   como ciência,   lidar com o sujeito epistêmico , basicamente o ser  que  adquire conhecimento, não é novidade.  Entretanto, havia uma lacuna  que necessitava ser preenchida .

Toda queixa constitui um sintoma, a  função da PSICOPEDAGOGIA  INSTITUCIONAL  é investigar a queixa  . Entretanto, para tal fim ,  é necessário trabalhar com  a pessoa  do profissional que está atuando  com indivíduos que não estão conseguindo aprender,  que estão com dificuldades de aprender ou ainda que mesmo diante do fato de estarem  se  profissionalizando não se reconhecem como futuros profissionais na respectivas  áreas de atuação. A atuação do PSICOPEDAGOGO não se restringe, desta maneira,  a análise de   grades curriculares e planejamento de ensino   " vamos trabalhar com  a pessoa deste profissional em ativa relação com o seu saber adquirido no decorrer da sua vida , dando significado a sua prática" conclui Gasparin.

Poucos são os trabalhos dedicados a determinar como o adulto dotado  das mais complicadas estruturas formalizantes, limita sua atividade cognitiva a níveis , às vezes de regulação intuitiva e, só diante da estimulação especial da prova, sai de uma espécie de letargo mental que o reduz a dependência intelectual. É claro que uma análise sócio-econômica das superestruturas educativas nos permite compreender porque o sujeito acaba sendo alienado da ignorância , mas necessitamos verificar qual estrutura possibilita a disfunção  da inteligência e como isso acontece

 

                               "... A Antropologia , a Lingüística  e a Psicanálise Aplicada tem deixado de lado o tema do tabu do conhecimento, evidenciado na Árvore da Sabedoria, cujas tentadoras maçãs , arrebataram ao homem, simultaneamente, a inocência e o paraíso; quando se faz menção ao ato heróico do semi-Deus Prometeu, cuja  dádiva transformou, em homo faber, o selvagem nômade, não se  salienta nem pontua este aspecto simbólico do mito, que não se contradiz com a interpretação delineada em Sobre a Conquista do fogo  (1932) [2] ".

Teria uma nova ciência como a PSICOPEDAGOGIA  uma  delimitação no campo de trabalho  em instituições de terceiro grau , de maneria que,   pudesse intervir nas estruturas formalizantes que limitam a atividade intelectual  do aluno adulto concorrendo para  a má qualidade do ensino superior? O  PSICOPEDAGOGO INSTITUCIONAL    atuaria  com   dificuldades nos níveis de aprender tanto  do  " ensinante "    como do  " aprendente ". Atuando nas  condições de aprendizagem que ocorrem a nível externo e interno  "... as externas , que definem o campo do estímulo, e as  internas que definem o sujeito...  podem estudar-se em seu aspecto dinâmico, como processos, e em seu aspecto estrutural como sistemas. A combinatória de tais condições nos leva  a uma definição operacional ([3]) da aprendizagem, pois determina as variáveis de sua ocorrência[4] " , caberá ao PSICOPEDAGOGO INSTITUCIONAL  avaliar se as motivações são ligadas à satisfação proveniente do próprio exercício da ação ou do prazer proporcionado pela equilibração em si mesma.

O problema de aprendizagem , diante  do exposto, é um sintoma([5]) no sentido de que o não aprender não    configura um quadro permanente, mas ingressa numa constelação peculiar de comportamentos, nos quais se destaca como sinal de descompensação .   A  dificuldade de aprendizagem no aluno adulto deverá ser analisada com o propósito de  entender o significado que esta não-aprendizagem representa.  

                       "A hipótese fundamental para avaliar  o sintoma que nos ocupa  é não considerá-lo  como um significante de um significado monolítico e substancial, mas pelo contrário, entendê-lo como um estado particular de um sistema que,  para equilibrar-se, precisou adotar este tipo de comportamento que mereceria  um nome positivo, mas  que caracterizamos como não-aprendizagem " afirma Paim.

                 Entretanto, o PSICOPEDAGOGO INSTITUCIONAL,   deverá  ter  em mente que  este diagnóstico é uma hipótese e que cada momento da relação com o sujeito através , tanto do processo diagnóstico como no "tratamento" , nos remeterá ajustá-la desde que as transformações obtidas a partir desta hipótese sejam aplicáveis por ela mesma. Tratando-se de um diagnóstico multifatorial  as articulações e compensações  mútuas  que compõem o quadro total  deverão desta forma, serem analisadas.

 A preocupação com os problemas de aprendizagem teve origem na Europa, ainda no século XIX, tendo sido estudado por filósofos , médicos  e os educadores. Basicamente   a ênfase era na reeducação .  Nos fins do século XIX foi formada uma equipe médico-pedagógica pelo educador Seguim e pelo médico psiquiatra Esquilo   passando a  neuropsiquiatria infantil  a estudar os problemas  neurológicos que afetam a aprendizagem . Conforme Mery (1985)[6], em 1946 foram fundados e chefiados por J. Boutonier e George Mauco (1959, p.5) os  primeiros  Centros Psicopedagógicos onde se busca  unir conhecimentos da Psicologia, Psicanálise e Pedagogia para tratar comportamentos sociavelmente  inadequados de crianças, tanto na escola como no lar, objetivando sua readaptação.  A partir de 1948, entretanto, o termo Pedagogia curativa passa a ser definido, segundo Debese, como terapêutica para atender crianças e adolescentes descapacitados que possuíam maus resultados. A Psicopedagogia curativa introduzida no Centro de Psicopedagogia de  Estrasburgo, França, poderia ser conduzida  individualmente ou em grupos, sendo entendida como " método que favorecia a readaptação pedagógica dos alunos'  uma vez que pretendia  tanto auxiliar o sujeito a adquirir conhecimentos , como também, desenvolver a sua personalidade. A Pedagogia Curativa situa-se no interior daquilo que hoje chamam de PSICOPEDAGOGIA, afirma Bossa.

Confirma-se , desta maneira, que a preocupação com a não - aprendizagem  restringia-se a crianças e adolescentes. Entretanto, a ênfase era na reeducação. Com as mudanças de paradigmas ,  a sociedade passa   a exigir  um ensino  que proporcione uma melhor qualidade de vida e a educação de adultos passa a ter relevância. A  ênfase não é mais na reeducação mais na  educação total.  O PSICOPEDAGOGO INSTITUCIONAL  numa instituição de nível superior atuará no desaparecimento do  sintoma e na possibilidade do sujeito aprender normalmente em condições melhores, enfatizando a relação que ele possa ter com a aprendizagem, ou seja, que o sujeito seja o agente da sua própria aprendizagem e que se aproprie do conhecimento.  A  PSICOPEDAGOGIA  encontra-se em processo de maturação, como afirma o professor Lino de Macedo

"a     PSICOPEDAGOGIA  é    uma    (nova)  área     de atuação profissional que tem , ou melhor , busca uma identidade e que requer uma formação de nível   interdisciplinar,  o que já é sugerido no próprio termo   PSICOPEDAGOGIA (Bossa, 1995 , p. 31)

OS PSICOPEDAGOGOS INSTITUCIONAIS  nas instituições de nível superior irão trabalhar as relações hierárquicas,  a  parceria , como as pessoas se comunicam o que é dito e o não dito. É imprescindível trabalhar o homem  com sua relação consigo mesmo e com o mundo visando a melhoria da  instituição , a instituição como parceria, não como rival... O processo de construção  do trabalho do PSCIOPEDAGOGO INSTITUCIONAL  numa instituição de nível superior é gradual pois não se trata de simples reprodução  pois , importa coordenar operações no sentido da reversibilidade do sistema do conjunto

 

" é preciso tempo para interiorizar as ações em pensamento, porque é muito mais difícil representar o desenvolvimento da ação e dos seus resultados em termos de pensamento do  que limitar-se  à execução  material (...) a interiorizarão das ações supõe, assim, a sua reconstrução sobre um novo plano..."  Piaget, p. 39[7] 

 

Especificamente  o PSICOPEDAGOGO INSTITUCIONAL no terceiro grau poderia priorizar em sua atuação:

· a intervenção visando a solução dos problemas de aprendizagem tendo como enfoque o aprendiz  ou a instituição de ensino

· realização do diagnóstico e intervenção psicopedagógica utilizando métodos , instrumentos e técnicas próprias  da Psicopedagogia

· desenvolvimento de   pesquisas e estudos científicos relacionados ao processo de aprendizagem e seus  problemas

· oferecer assessoria psicopedagógica aos  trabalhos realizados no espaço da instituição

· orientar, coordenar e supervisionar as questões de ensino aprendizagem decorrentes da estrutura curricular

· acompanhar e interferir na relação professor - aluno nos aspectos subjetivos

· reorientar  nas questões vocacionais

· assessorar  e orientar no cumprimento do Projeto Pedagógico

· acompanhar a implementação e implantação de nova proposta  metodológica de ensino

· promover encontros  socializadores entre corpo docente , discente, coordenadores, corpo administrativo e de apoio e dirigentes

· acompanhar alunos com dificuldades de  aprendizagem

· cooperar  na correção de funções cognitivas deficientes

· ajudar  na aquisição de conceitos básicos

· proporcionar momentos de reflexão sobre a  ação educativa

· mediar a passagem de uma atitude passiva - reprodutora de informação para a autogeradora

Diante do exposto percebe-se que,   a instituição educacional é uma unidade social empenhada em concretizar desejos comuns   já instituídos no contexto no qual esta inserida. Nesta atividade,  grupos interagem nas dimensões  administrativas, sociológicas , pedagógicos   proporcionando a  circulação dos saberes de uma dada cultura,  revelando-se através de um conjunto de  signos que  expressam  e regulam a  ação de educar com o objetivo de  facilitar a inserção das indivíduos no meio social. Percebe-se,  na especificidade da instituição educacional como um todo,  a interação  que se dá nas  dimensões do sujeito do conhecimento e do outro. E  é na convergência destas dimensões ,  neste novo espaço proporcionado através da interação,  que se manifesta e subsiste a instituição educacional  e  se  instaura a necessidade  de um profissional que interprete o fenômeno aprendizagem  - o PSICOPEDAGOGO INSTIUCIONAL. É ele que a partir de uma macro visão da instituição, como um todo,  proporcionada através do diagnóstico psicopedagógico  institucional que a  poderá tomar decisões mais acertadas nos momentos de crise. A  previsão de tais momentos e as estratégias para evitá-los e ainda o adequado planejamento  culminarão para o  alcance dos objetivos da instituição. Evidencia-se assim, ser  esta uma atividade constante na faculdade, principalmente em virtude da característica dinâmica do  modelo de instituição.

MARINALVA BATISTA DOS SANTOS NEVES

Pedagoga, Psicanalista, Psicopedagoga Membro da Associação Brasileira

de Psicopedagogia

Psicopedagoga institucional na União das Faculdades

de Tecnologias e Ciências - UFTC



[1] GASPARIAN, Maria Cecília Castro.  Psicopedagogia institucional.   São Paulo, Psicopedagogia on-line. 1999. 9p

[2] FREUD, Sigmund.  Obras Completas.   vol III , Biblioteca Nueva, Madrid, 1968.

[3] Esclarecimento em Cohen e Nagre. Lógica y Método Científico, vol. II, Amorroru, Buenos Aires, 1971.

[4] PAIN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem Porto alegre, Artes Médicas. 1985

[5] PAZ, J. PSICOPATOLOGIA DINÁMICA, Galerna, Buenos Aires, 1971.

[6] BOSSA, Nadia ª A  PSICOPEAGOGIA NO BRASIL : CONTRIBUIÇOES A PARTIR DA PRATICA,        Porto alegre , Artes Medicas, s.d.

[7] PIAGET, Jean. Psicologia e pedagogia. 4ed Rio de Janeiro, Forense-universitária, 1976







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Autor: Marinalva Batista Dos Santos
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