EM BUSCA DA CONSTRUÇÃO DE UMA ÉTICA-TRANSCENDENTE  

por Amaro França

A dinamicidade peculiar deste final de século vem transformando a vivência dos valores existenciais da humanidade. Paradoxalmente há uma explosão de idéias, mitos, crenças e soluções imediatistas para as próprias questões existenciais e espirituais do ser humano, bem como uma intensa busca de identidade da ética neste início de milênio. Essa busca da construção ou dos resgate de princípios éticos humanos, move a pessoa a uma outra relação, muitas vezes negada, o ser humano e a transcendência - suas respostas profundas existenciais, palpitante no coração do sujeito, que nenhuma imposição global ou forma governamental autoritária jamais irá sufocar.

Dentre as várias dimensões que formam o sujeito, a dimensão ética é constitutivo que deve permear toda vivência humana; com ênfase no processo educacional marcado por novos paradigmas que firmam a relação fundamental do mesmo – Aprender e Ensinar.

Considerando os diversos paradigmas, enfatizamos um novo modelo do processo ensino-aprendizagem, sistematizado pela Professora Aglael Luz Borges*, que traz em sua essência quatro princípios fundamentais: Atividade – força propulsora de ação; Liberdade – expressão do ser num compromisso de responsabilidade; Autoridade - exercício da coordenação dos direitos e deveres e a Criatividade - ressignificação da história e suas perspectivas num sistema de valores, sem alienação. Estes princípios se interagem na construção do sujeito protagonista da sua história humana, de vida, cognitiva e ética, possibilitando também uma interação com a dimensão transcendental do seu existir. A dimensão transcendental é a que nos preenche em plenitude, dando-nos um sentido de vida além desta dimensão existencial humana. O aprofundar esta relação transcendental é fruto de uma construção, elaboração e vivência permeada pela crença (fé) do ser humano que se relaciona com o transcendente. A esta forma relacional, maneira de comunicação, vivência, denominamo-nos de espiritualidade – que quando autêntica se manifesta aqui no concreto das nossas ações e das nossas relações do dia-a-dia .

A psicopedagogia tem um papel primordial nessa formação do sujeito que transcende a realidade, porque esta ciência tem um olhar sobre o mesmo sujeito que aprende em suas diversas dimensões e interações existenciais. A dimensão transcendental não é uma dimensão alienada ou alienante – mas uma relação de espiritualidade encarnada na dinamicidade dos contextos histórico-real da existência de cada um e de mundo. A alienação nessa abordagem referencial não é espiritualidade e sim um espiritualismo – muitas vezes vazio e descomprometido com a realidade da existência . O cerne da espiritualidade e da ética está na mudança da pessoa e no seu assumir crítico-solidário para com aqueles do seu convívio. Assim estará vivendo a profundidade do humano ético – o que o torna transcendental-divino.

Prossigamos nossa jornada como educadores – psicopedadgogos na perspectiva de realização plena - desafiando tudo o que nos impede de viver a beleza da existência, optando sempre pelo caminho humano-ético-transcendental , que é a prática e o testemunho do amor.    

Amaro França.        * Mestra em Educação – UFRJ ; Professora nos diversos cursos de Psicopedagogia – Brasil.